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Uma matéria veiculada no “Fantástico” do último domingo evidenciou uma grave situação. O município de Marechal Thaumaturgo, fronteira do Acre com a Bolívia tem apenas um policial civil. Em entrevista ao programa, a agente de polícia Charla de Oliveira contou que não tem condições de instaurar inquéritos, oitivas, boletins de ocorrência e fazer todo o serviço de investigação sozinha.

O local tem quase sete vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro, além disso, é passagem obrigatória de pelo menos três rotas de tráfico internacional.

“Isso é inadmissível, as polícias civis brasileiras estão a beira do colapso, perto de fechar as portas. A fronteira do país não pode ser vigiada por apenas um policial civil, o Governo não investe em segurança pública e a maior prejudicada é a sociedade brasileira.

A situação evidenciada vai ao encontro da previsão do diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), professor Renato Sérgio de Lima. Ele disse que “muito em breve” as Polícias Civis entrarão em colapso.

Renato Sérgio de Lima explicou que, historicamente as Polícias Civis apresentam baixas taxas de resolução de crimes por uma série de fatores, como: ausência de concurso público e a defasagem no efetivo, delegacias sucateadas, falta de equipamentos, burocracia e a falta de credibilidade, por exemplo. Essa já é a realidade da polícia capixaba, denunciada há anos pelo Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES).

“Em meio a esse processo, que junta crise da sua missão fim (investigação), falta de recursos e baixa prioridade política de governantes, temo que as Polícias Civis entrarão em colapso muito em breve”, ponderou o professor.

No Espírito Santo, as delegacias encontram-se em situações insalubres, sofrem com a falta de efetivo e situações que atentam contra o princípio da dignidade da pessoa humana. Em inspeção sindical realizada pelo Sindipol/ES, foi constatado que o município de Rio Bananal conta com apenas um policial civil para toda população.

Além disso, várias delegacias deixaram de funcionar por falta de recursos materiais e humanos. Em 2017, por exemplo, em menos de quatro meses, seis delegacias foram fechadas. A PC/ES sofre com a falta de investimentos tanto em equipamentos quanto no próprio profissional de polícia judiciária.

“É complicado, estamos denunciando em todas as esferas municipais, estaduais e nacionais para que as medidas sejam tomadas. Essa situação não pode continuar, precisamos de estrutura, concursos públicos com várias vagas, não com apenas as que foram ofertadas. Estamos lutando para garantir uma polícia civil cada vez mais eficaz e cidadã”, finalizou, Jorge Emílio.

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS