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O Espírito Santo é o único Estado do país cujo centro de sua capital não tem uma delegacia de polícia, pois devido à falta de investimento em segurança pública pelo Governo Estadual, em Vitória e municípios da Região Metropolitana foram fechadas ou desativadas diversas unidades policiais, tais como: DP do Centro de Vitória, DP de São Pedro, DP de São Torquato, DP de Vila Garrido, Regional de Vila Velha, DP do Centro de Vila Velha, DP de Serra Sede, DP de Novo Horizonte, DP de André Carloni, dentre outras no âmbito da Polícia Judiciária.

Já no âmbito da Polícia Militar também foram fechadas ou desativadas várias unidades policiais, tais como: BME, GAO, ROTAM e diversos postos e DPM´S, dentre eles, alguns que funcionavam no Centro da capital, principalmente na região do Morro dos Moscoso e da Piedade. Desta forma, não resta dúvida, que com a política governamental de desidratação das instituições policiais, a segurança pública perde espaço, enquanto que, o crime, criminoso e criminalidade crescem de forma descontrolada e com isso, quem paga essa conta alta, muitas vezes com a vida, é a sociedade capixaba.

Não se pode coadunar que diante de todo esse quadro de caos e abandono se afirme que o crime está controlado, pois a realidade vivenciada pela população de uma maneira geral é bem diferente e mais problemática do que aponta a visão romântica do Governo do Estado.

Antigamente, na região do Centro da capital funcionavam a Delegacia de Homicídios, a Delegacia do Centro, a Delegacia de São Pedro e diversos postos e DPM´S que foram desativados. O efetivo policial nas duas instituição também já foi maior, pois no passado, havia praxe de reposição de efetivo policial na PM de ano em ano e na PC de pelo menos de cinco em cinco anos, sendo que o último concurso para Investigador de Polícia foi realizado em 1993.

De forma notória, percebe-se que, a violência é potencializada com a ausência de uma política estruturante de segurança pública, consequência direta que reflete na criminalidade, haja vista que, a incidência de ocorrências policiais envolvendo apreensões de armas longas (fuzis) em nosso estado vem sendo uma constante considerável, que retrata as apreensões de fuzis no ES, tais como, um fuzil norte-americano apreendido na Serra, um fuzil norte-americano apreendido no morro de Jaburuna, um fuzil Ruger Mini-14 apreendido em Cariacica, um fuzil HK G3, também na Serra, etc.

Hoje, os criminosos estão cada vez mais bem armados com armamentos de primeira qualidade. Por isso, é necessário que as polícias trabalhem na defesa da sociedade lutando contra o crime no mínimo em paridade de armas, ou seja, com armamentos também de boa qualidade.

Como exemplo de crimes que abalam o centro da capital do nosso grandioso Estado do Espírito Santo podemos citar:

Há três meses, dois irmãos foram mortos no morro da Piedade, no Centro de Vitória. Sem a elucidação do crime, conflitos entre traficantes continuaram acontecendo, moradores foram expulsos do bairro e outras mortes foram registradas na comunidade. O poder paralelo que aterroriza comunidades inteiras voltou a ser destaque no Espírito Santo.

No bairro da Piedade, a semana começou com escolas fechadas, com mais de 20 famílias deixando o bairro onde moravam há anos por medo ou por imposição de traficantes. O bairro vive uma guerra pelo controle de pontos de vendas de drogas. Para os moradores, a explosão da violência tem explicações; ausência do patrulhamento preventivo e a falta de investigações para punir os criminosos que dominam a região.

De março até agora, os moradores contaram seis assassinatos na região. Entre as mortes estão os homicídios dos irmãos Damião e Ruan Reis, que não possuíam antecedentes criminais. Nenhum assassinato até o momento foi solucionado e ninguém foi preso. O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) está acompanhando a situação de perto.

Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.
Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

O Sindipol/ES entende a reclamação da população e reforça que, pela falta de policiais civis para investigar tantos crimes, a Polícia Civil capixaba prioriza casos de maior repercussão para dar uma sensação de justiça para toda sociedade.

“Nós não temos policiais suficientes para investigar tantos crimes. O trabalho na Piedade deveria ser conjunto entre, pelo menos, dois setores da PC/ES; Divisão de Homicídios e Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes. Infelizmente, sabemos que crimes em periferias não são investigados com o mesmo empenho de casos como o da médica Milena Gotardi e das crianças assassinadas no norte do estado. São casos midiáticos e de grande repercussão que também servem de trampolim político, por isso, os gestores da segurança, que são políticos, priorizam esse tipo de crime”, explicou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

No último levantamento feio pelo Sindipol/ES, a defasagem no quadro de policiais civis superava 60% e o próprio Conselho Nacional do Ministério Público chegou a conclusão de que a Polícia Civil capixaba necessita urgente de investimentos.

O Sindicato dos Policiais Civis reforça que a Polícia Civil é um dos pilares do sistema de segurança pública para onde é canalizada toda ocorrência policial e situação flagrante oriunda do sistema de justiça criminal e das agências policiais que envolvem a segurança pública. Por isso, precisa passar por uma efetiva reestruturação que envolve investimentos em recursos humanos, materiais e de estrutura, além da valorização do profissional operador da segurança pública, com a pertinente formação continuada, qualificação e requalificação.  

Por tudo isso é urgente a realização de concurso público para todos os cargos policiais, que novas unidades sejam construídas e os policiais valorizados, diante da complexidade de suas atribuições. Sem uma Polícia Civil mais eficaz e cidadã, cenas como as registradas na mídia em geral, de violência imposta pela “Lei” do tráfico podem virar rotina no Espírito Santo.

 

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!