livre-arbitrio-fuga-de-moradores-da-piedade-nao-e-escolha-como-disseram-comandante-geral-da-pm-e-secretario-de-seguranca

Apesar das autoridades policiais dizerem que os moradores “escolheram” deixar as casas por imposição de traficantes, a situação no morro da Piedade revela a ausência de políticas públicas eficientes de combate à criminalidade no Espírito Santo. Tensão na comunidade que fica no Centro da capital do Estado mostrou a total descrença da população na segurança pública capixaba.

Descaso, omissão e banalização da violência. Tudo isso ficou evidente nos acontecimentos posteriores ao assassinato do gerente do tráfico do morro da Piedade, morto com mais de 40 tiros no último domingo. Após a execução, moradores foram ameaçados e 60% da comunidade deixou o bairro onde morava há anos por causa da violência e da insegurança, mesmo com dezenas de policiais civis e militares ocupando a região.

O comandante geral da PM e o secretário de Segurança Pública do Estado estiveram no local e foram infelizes em dois pronunciamentos. No primeiro, o comandante geral disse que era escolha dos moradores fugirem do bairro, banalizando um caso extremo de violência. No segundo, o secretário passou vergonha ao garantir segurança para a população ao vivo em redes de televisão, mesmo com diversos moradores fugindo com móveis e eletrodoméstico pelos becos da comunidade. Um claro exemplo da descrença e da falta de credibilidade do poder público, em especial, da Secretaria de Segurança do Espírito Santo.

Para o Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol/ES), a fuga dos moradores só reforça a ineficiência das forças policiais que é reflexo da falta de investimentos e valorização, que desidratou a Polícia Civil. O Sindipol/ES possui em sua diretoria e no seu corpo de sindicalizados policiais civis de extrema competência que já atuaram na comunidade da Piedade há anos, comprovando que a tensão dos moradores causada pela guerra do tráfico não é de agora.

De domingo até quinta-feira, 56 imóveis foram desocupados no bairro e 181 pessoas deixaram o morro. Em uma área conhecida como “Seu Queiroz”, no alto do morro, 90% dos moradores deixaram a comunidade, mesmo com o reforço da segurança anunciado pelo secretário de segurança.

O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo entende que livre-arbítrio é quando o morador pode decidir, escolher sem influencias o que pode fazer. No caso da Piedade, a comunidade foi ameaçada e não escolheu deixar o bairro onde mora há anos. A situação é totalmente contrária ao pensamento dos que se dizem gestores da segurança capixaba.

Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES
Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES

“Os moradores não decidiram deixar a comunidade por livre-arbítrio e sim com o medo das “leis” implantadas pelo tráfico de drogas. Ninguém quer sofrer represálias ou até mesmo perder a própria vida por causa dessas guerras de tráfico. Os moradores estão deixando toda a sua história de vida para trás por pressão do crime e a omissão do Estado”, disse o presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal.

 

Foto/Eduardo Dias

 

 JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!