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O imóvel onde funciona a delegacia especializada que deveria amparar e garantir direitos a mulheres vítimas de algum tipo de violência não possui condições mínimas de segurança. Policiais relataram doenças respiratórias por causa da falta de limpeza e mofo. O Sindicato constatou que o ambiente não é saudável e salubre, além de oferecer risco aos policiais e a sociedade, não atendendo minimamente o princípio constitucional de dignidade da pessoa humana.

A delegacia especializada em atendimento a mulher de Vitória (Deam) funciona em uma casa do bairro Santa Luíza, atrás da Chefatura de Polícia, de forma precária. Por exemplo, o arquivo morto, inquéritos instaurados em investigação ou encerrados, assim como materiais apreendidos, ficam amontoados no banheiro da delegacia ao lado do vazo sanitário.  As paredes do imóvel estão mofadas, com rachaduras e infiltrações, que estão comprometendo até mesmo o reboco das paredes que estão despencando. A parte elétrica e de informática funciona de forma precária num emaranhado de fios, com potencial risco de incêndio ante a ausência de extintores no local. De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES), a limpeza da unidade é feita por uma empresa terceirizada apenas uma vez por semana. Policiais já registram problemas de saúde.

O presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal, ao lado dos diretores Airton Armondes e Aloísio Fajardo.
O presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal, ao lado dos diretores Airton Armondes e Aloísio Fajardo.

“O ambiente é totalmente insalubre. Muitos policiais estão com problemas respiratórios e impedidos de fazerem um bom trabalho pelas condições estruturais da delegacia. É realmente uma vergonha saber que uma delegacia de polícia tão importante não oferece segurança para a população e os policiais tem que permanecer calados diante do caos e abandono”, pontuou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

Para o Sindicato, a delegacia precisa acolher e dar tranquilidade para as vítimas que não podem permanecer caladas diante do quadro de agressões, porém, mulheres são atendidas em salas pequenas e sem nenhuma privacidade, onde o depoimento pode ser ouvido do corredor ou da recepção por qualquer pessoa.  

VÍTIMAS E POLICIAIS CORREM RISCO EM DELEGACIA

O Sindicato dos Policiais Civis fez uma inspeção surpresa na delegacia na última quinta-feira (21) e tirou fotos para registrar a precariedade. Na Deam, faltam tampas para o interruptor de ventiladores e lâmpadas, o que deixa os fios expostos. Também não existe proteção para os fios de telefone e internet.

Segundo os policiais que trabalham na delegacia, parte do reboco do teto quase atingiu o acompanhante de uma vítima que estava registrando um boletim de ocorrência. A delegacia da mulher de Vitória já foi arrombada por criminosos que roubaram até armas que haviam sido apreendidas. A segurança externa da delegacia continua precária, segundo o Sindipol/ES.

“Facilmente a delegacia pode ser arrombada de novo. As grades são barras de ferros enferrujadas que não oferecem nenhuma resistência. É inadmissível e caótica essa situação. Para as mulheres ir à delegacia já é constrangedor, imagina nessas condições? E se alguém fica ferido depois do reboco cair?”, disse o presidente do Sindicato dos Policiais Civis.

Jorge Emílio Leal finalizou dizendo que o Sindipol/ES contratou um técnico em segurança do trabalho e fez uma nova vistoria no local na última quinta-feira (26). Com o laudo, o sindicato vai oficiar o Ministério Público Estadual, o Ministério Público do Trabalho, a Vigilância Sanitária da Prefeitura, ao Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil para que a delegacia da mulher seja interditada, devido a falta de condições estruturais e de um ambiente saudável e salubre de trabalho, até que o Governo encontre outro imóvel. Segundo o Sindipol/ES, outras delegacias capixabas estão na mesma situação pela ausência de investimentos e de políticas realmente estruturantes.

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Aloísio Fajardo, diretor do Sindipol/ES.

 “Infelizmente a Polícia Civil capixaba vem enfrentando sérias dificuldade por ausência de investimentos que resultam em baixa taxa de resolutividade dos crimes em geral, sobrecarga de trabalho ante a deficiência de efetivo por ausência de concurso público, falta de recursos materiais e humanos e condições estruturais precárias de uma forma geral. Quadro que só irá mudar diante de uma política de Estado que realmente invista em segurança pública”, disse Aloísio Fajardo, diretor do Sindipol/ES.

Veja as fotos.

 

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