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Falta de policiais, estrutura de trabalho precária e acúmulo de funções, na visão do Sindipol/ES, são fatores que explicam a demora na conclusão das investigações do acidente que matou uma pessoa na capital do Espírito Santo. 

Em julho de 2016, o capixaba acordou com a notícia impressionante do desabamento da área de lazer do Condomínio Grand Parc Residencial Resort. O porteiro Djair Neves ficou soterrado e morreu no local, outras quatro pessoas ficaram feridas, entre elas o síndico do condomínio de luxo. Imediatamente a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os crimes de homicídio e lesão corporal, e as causas do desabamento.

O Departamento de Criminalística da Polícia Civil indicou que o pavimento de uso comum do condomínio cedeu por não atender os padrões mínimos exigidos para uma construção daquele porte. De acordo com o relatório do Departamento, a laje estava em situação precária. O caso foi investigado pela Divisão de Crimes Contra a Vida de Vitória, que indiciou dois engenheiros responsáveis pela obra e encaminhou o inquérito ao Ministério Público. Mas o inquérito foi devolvido em janeiro de 2017 pela juíza Cláudia Vieira de Oliveira Araújo, da 6ª Vara Criminal de Vitória.

A juíza pediu novas diligências no prazo de 90 dias, mas, 10 meses depois, o caso continua em aberto. Os policiais não conseguiram realizar as diligências solicitadas pelo Ministério Público para encerrar as investigações da tragédia.

“Isso não tem nada a ver com competência, é questão de condições de trabalho e estrutura. Temos certeza que toda equipe da Crimes Contra a Vida de Vitória é extremamente competente. Tanto, que colocou na cadeia, recentemente, o homem apontado como chefe do tráfico do Morro da Piedade. O mesmo que aterrorizou e expulsou famílias inteiras da comunidade”, disse Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

CASOS MIDIÁTICOS SÃO PRIORIZADOS

Para o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, as forças policiais capixabas concentram esforços em crimes e casos de grande repercussão, seguindo determinação da própria Secretaria de Segurança. Porém, diariamente novos casos vão surgindo e as polícias não dão conta de apurar e finalizar as investigações de tantos crimes. 

“É o que chamamos de casos midiáticos de relevância política ou econômica. O Grand Parc é um exemplo clássico. Foi notícia até fecharem com tapumes o local da tragédia e a perícia dizer que foi erro de planejamento. Depois disso, já foram muitas outras tragédias pessoais e coletivas que exigiram da Secretaria de Segurança Pública uma resposta rápida para a sociedade pela imprensa. Com isso, os policiais civis são deslocados, as equipes concentram atenção em novas investigações e deixam os inquéritos mais antigos para depois”, disse o presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal.

De acordo com o levantamento do Sindicato, o número de policiais civis no Espírito Santo não acompanhou o crescimento da população e, consequentemente, da criminalidade. A defasagem no quadro operacional da PC/ES é superior a 60%. Além disso, diversas delegacias estão em péssimas condições e faltam materiais básicos para o trabalho dos policiais.

“É lamentável. Nos sensibilizamos pela morte do porteiro nessa tragédia e reforçamos que nossos policiais não são culpados por isso. A falta de investigação nesse e em diversos casos no Espírito Santo são reflexo de anos sem investimentos em segurança pública, concurso público e valorização para os policiais civis capixabas”, pontuou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

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