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O investimento de aproximadamente R$ 15 milhões é para instalar barreiras de proteção e evitar suicídios na maior ponte do Espírito Santo, que é administrada por uma empresa privada. Em contrapartida, delegacias foram fechadas, algumas necessitam urgente de reformas e de policiais civis para trabalhar.

Por causa de mais uma tentativa de suicídio, a 3º Ponte ficou interditada por oito horas, o que travou o trânsito em toda Região Metropolitana de Vitória. Foi a maior interdição da história da maior ponte capixaba, a terceira vez só em 2018 que a principal ligação entre Vitória e Vila Velha é bloqueada para resgatar uma pessoa que tentou tirar a própria vida. Diversos casos de suicídio e de tentativas já foram registrados na 3º Ponte, porém, só depois do último episódio, o Governo do Estado disse que iria tomar uma providência; instalar barreiras de proteção que irão custar R$ 15 milhões de reais aos cofres públicos.

O Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol/ES) é contra esse investimento, por entender que o Governo não deve gastar dinheiro público em uma ponte privatizada. Diariamente, uma média de 58 a 70 mil veículos cruzam a ponte e os motoristas pagam pedágio. Uma arrecadação que pode chegar a R$ 140 mil dia, aproximadamente mais de R$ 4 milhões mês.

3 ponte

“É um absurdo o Governo deixar de investir em áreas essências para a sociedade, principalmente em segurança pública, para dar suporte financeiro para uma empresa privada que já explora a via pública cobrando pedágio. O Governo não pode subsidiar esse investimento, cabe a empresa arcar com esse investimento”, pontuou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

O Sindipol/ES reforça a necessidade urgente de investimentos em políticas estruturantes para a segurança pública. O diretor financeiro do Sindipol/ES, Aloísio Fajardo, lembrou que só em 2017 seis delegacias foram fechadas em menos de quatro meses. Além disso, Aloísio ressaltou que diversas delegacias precisam ser reformadas e pela ausência de concurso público, a defasagem no quadro de policiais civis capixabas supera 60%.

“É realmente incoerente. Esse dinheiro deveria ser investido em serviços essências para a população. Hoje, falta até verba para o combustível das viaturas usadas pela polícia. Algumas delegacias foram fechadas na gestão do governador Paulo Hartung ou mudaram de endereço, dificultando o acesso da população.  Essa estratégia equivocada do Governo diminuiu a credibilidade das forças policiais e pode mascarar os números da violência, já que muitos crimes deixam de ser registrados pela distância da delegacia”, disse.

A concessão da 3º Ponte à Rodosol durante o período da primeira gestão do governador Paulo Hartung (2003 – 2010) já foi alvo de questionamentos e de críticas na Assembleia Legislativa. A Rodosol deveria realizar grandes obras que estavam previstas no contrato de concessão, mas não fez, mesmo cobrando pedágio dos capixabas. Então, o governador assumiu os empreendimentos e os valores gastos foram muito além do previsto. As obras do Canal Bigosse, por exemplo, custariam em torno R$ 10 milhões para a Rodosol, mas o Governo investiu mais de R$ 60 milhões.

Para o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, pagar pelas barreiras de proteção da 3º Ponte é a prova de que o atual Governo está mais preocupado em fazer lobby com a iniciativa privada do que realmente investir na qualidade e melhorias dos mecanismos públicos capixabas.

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!