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Mais do que chocar a sociedade pela audácia e pelo abuso, as imagens de traficantes desfilando com armas longas pelo bairro São Benedito refletem a falta de políticas eficientes em segurança pública no Espírito Santo.

Bairro São Benedito, Vitória, segunda-feira, 8 de outubro de 2018, 6:30 da manhã. Após um baile funk clandestino, chamado baile do Mandela, na quadra de um projeto social ocupada por bandidos, traficantes saem pelas ruas ostentando rádios, pistolas e submetralhadoras. Tudo foi filmado por uma câmera da Prefeitura e acompanhado em tempo real pela polícia, que nada pôde fazer.

“Nós estamos acompanhando, fazendo as gravações para identificar e posteriormente passar ao comando. Só com o efetivo que a gente tem fica meio desproporcional. É arriscado demais para os nossos militares”, relatou um atendente do Ciodes durante a gravação do vídeo.

Cenas parecidas também foram registradas no município de Serra, no bairro Planalto Serrano. Um vídeo de traficantes ostentando armas longas foi para as redes sociais. Foi mais uma afronta para a polícia, segundo o secretário de Segurança Pública capixaba.

Assim como a PM, a Polícia Civil também sofre com o baixo número de policiais, uma defasagem superior a 60% no quadro operacional. Para o Sindipol/ES, isso significa menos investigações e impunidade aos bandidos. No bairro São Benedito, um dos homens armados que foi identificado já foi preso 14 vezes, mas continua na rua. O Sindipol/ES entende que isso acontece pela necessidade urgente de uma reforma no Código Penal, porém, o Sindicato reforça que também faltam elementos de investigação que são fundamentais para manter criminosos presos.

Jorge Emílio Leal, presidente do SIndipol/ES
Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES

“Sem investigação o MP não oferece denúncia com provas consistentes para manter bandidos na cadeia. Além de ser necessário reformular o Código Penal brasileiro para evitar esse prende e solta, também é muito importante investir na Polícia e no policial civil. É o policial civil que investiga, consegue provas e garante elementos suficientes para manter bandidos presos”, pontuou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES e especialista em segurança pública.

O presidente do Sindipol/ES também reforçou a importância de uma ação conjunta entre as forças policiais.

“Se estamos falando de traficantes fortemente armados, precisamos entender da onde vem a droga vendida no Estado e as armas usadas por esses bandidos. O Espírito Santo não produz armas e muito menos drogas. Sem um trabalho conjunto de inteligência entre as forças policiais, iremos continuar vendo a polícia enxugando gelo”, pontuou.

 

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS