10-policiais-civis-foram-assassinados-em-cinco-anos-no-espirito-santo

A maioria dos policiais civis mortos estava fora do horário de trabalho. O último policial assassinado foi o investigador Alessandro Ferrari, morto na frente da esposa e da sogra. A morte de policiais também é reflexo da falta de políticas de segurança pública estruturantes e eficazes.

10 policiais civis foram assassinados nos últimos cinco anos no Espírito Santo; seis em 2013, dois entre 2014 e 2017, e dois em 2018. O primeiro caso deste ano aconteceu no Sul do estado, em Cachoeiro de Itapemirim. O investigador Elias Borrete foi assassinado no dia 31 de agosto. As investigações apontaram que a esposa do policial civil e o amante dela tramaram a morte do investigador. Os dois foram presos. Na semana em que se homenageia os mortos, a Polícia Civil perdeu outro guerreiro. Alessandro Ferrari foi assassinado durante um assalto em Cariacica. Ele tinha acabado de sair da igreja e seguiria para a festa de aniversário de oito anos da filha.

Os casos mostram que os policiais civis sofrem com a mesma violência que atinge toda sociedade capixaba. Grande parte dos profissionais morreu fora do horário de serviço, é caso dos policiais Lacy Fernandes, José Bento Honório, Carlos Leno, Mário Marcelo de Albuquerque, Elias Borrette Mariano e Alessandro Gomes Ferrari. Já os policiais civis José Nivaldo do Amaral, Leone José Pereira, Moacir Camargo, Agner Luiz Caetano foram executados durante o trabalho.

Nos últimos cinco anos, sete policiais civis ficaram feridos trabalhando ou de folga. Também foram vítimas da violência.

 “Esses fatos trágicos nos deixam indignados e perplexos diante da banalização da vida dos operadores da segurança pública capixaba. Todos os dias os policiais civis correm risco de morte no desempenho da função para proteger a sociedade. É inadmissível que fiquemos apáticos e indiferentes a essas adversidades sem tomarmos nenhuma atitude para mudar essa situação”, disse Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

POLICIAIS TAMBÉM SÃO VÍTIMAS DA CRISE NA SEGURANÇA

Trabalhando sem as condições mínimas de segurança, os guerreiros da polícia judiciária capixaba sofrem com a ausência de políticas estruturantes e pela falta de investimentos. Faltam materiais básicos de trabalho, estrutura adequada nas delegacias e até mesmo profissionais . A defasagem no quadro operacional da PC/ES ultrapassa os 60% e o concurso público anunciado não supre a carência da falta de policiais civis no estado.

“O número de policiais não acompanhou o crescimento populacional. Hoje, temos 2.200 policiais civis para atender uma população superior a 4 milhões de pessoas, segundo o último Censo.  O último concurso público para cargos operacionais, ou seja, para cargos de investigação foi há 25 anos. O maior investimento que o Governo deveria fazer seria concurso público para a Polícia Civil capixaba”, finalizou o presidente.

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS