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A mudança provisória do Serviço e Verificação de Óbito (SVO) aumentou o fluxo de pessoas e consequentemente o volume de trabalho no Departamento Médico Legal de Vitória, que não possui estrutura suficiente para atender as demandas da própria Polícia Civil.

O SVO é responsável por receber casos de pessoas que morreram por causas naturais. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), o SVO, anualmente, realiza cerca de 3.700 autópsias. O Serviço de Verificação de Óbito funciona no Hospital da Polícia Militar, mas foi transferido para o DML por que o hospital está sendo reformado, e isso pode comprometer o trabalho dos policiais civis. A transferência aconteceu no início do ano.

Os corpos de todas as pessoas mortas de forma violenta na Região Metropolitana são levados para o Departamento Médico Legal da capital, onde ficam os profissionais técnicos em Medicina e Perícia Legal da Polícia Civil.  Para o Sindipol/ES, o DML já não tem um espaço adequado para a importância do trabalho desenvolvido pela Polícia Civil.

“O espaço é pequeno perto do volume de trabalho registrado, os equipamentos estão defasados e os profissionais sofrem com a desvalorização e acúmulo de trabalho devido à defasagem de policiais. Entramos na justiça e garantimos o pagamento de insalubridade para os profissionais do DML e dos SMLs. Não podemos aceitar que a Polícia Civil se torne o pronto socorro das demandas de outras instituições estaduais”, pontuou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

Emílio se refere a casos de quando a Polícia Civil precisou “socorrer” e dar “abrigo” para outras instituições, como foi o caso do Departamento de Trânsito do Espírito Santo (Detran), que ficou durante anos funcionando em um dos prédios da Chefatura de Polícia, enquanto o Estado pagava aluguel de imóveis para acomodar delegacias no Espírito Santo.

“Na época da greve da PM o DML ficou sobrecarregado e os policiais se doaram ao máximo para que a sociedade passasse por aquele momento de turbulência, fruto de políticas de segurança ineficientes, sem grandes impactos para os familiares de vítimas. Será que iremos passar por algo parecido de novo com a ida do SVO para o DML?”, questionou.

GOVERNO USA POLÍCIA CIVIL, MAS NÃO FORNECE AJUDA PARA POLICIAIS

Diante da defasagem salarial, já que o governador ignora as leis trabalhistas brasileiras e não concede o reajuste anual para os policiais, da falta de condições mínimas de trabalho e da falta de valorização dos profissionais da PC/ES, a diretoria do Sindipol/ES pede para o Governo que todos os agentes de segurança pública do estado sejam atendidos com exclusividade no Hospital da Polícia Militar. Até o momento, as solicitações não foram atendidas.

De acordo com o presidente do Sindicato,  muitos policiais que atuam no combate à violência em defesa da população não conseguem pagar plano de saúde.

“Sugerimos que o HPM vire o Hospital da Segurança Pública. Nossos irmãos da Polícia Militar com certeza iriam aceitar. Falta apenas a boa vontade do Governo Estadual. A Polícia Civil está sempre socorrendo o Governo do Estado. Mas e nós? Quando precisamos não somos atendidos. Os policiais civis também precisam ser socorridos”, finalizou o presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal.

Representantes do Sindipol/ES foram ao DML de Vitória. No Departamento, alguns policiais civis disseram que a ida do SVO para o DML pode ser uma alternativa para facilitar a liberação de corpos, já que os dois serviços estarão concentrados em um lugar só. Mas os policiais foram unânimes ao dizer, que para isso, o espaço precisa ser adequado.

 

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS