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Na terça-feira (12), quem procurou a delegacia de Laranjeiras até deitou na calçada esperando atendimento. Pelas redes sociais, internautas relatam o mesmo problema em outras delegacias do Espírito Santo.

Gente deitada na porta da delegacia, esperando a mais de 6 horas para registrar um simples boletim de ocorrência. Foi isso que aconteceu na semana passada em Laranjeiras. Apenas um policial estava trabalhando na delegacia que funciona em regime de plantão no município.

“Cheguei às 4 da tarde e só fui atendido depois de 9 da noite. Tirei foto de gente deitada na porta da delegacia. Está inoperante essa delegacia. Esse DPJ tinha que ser reformulado. Precisam aumentar a capacidade de funcionários”, disse Wilson Freitas, radialista.

UM COPO DESCARTÁVEL PARA 20 PESSOAS NA DELEGACIA

Além da falta de policiais civis para atender o público, o cidadão que procurou a regional de Laranjeiras na semana passada também reclamou das condições oferecidas à sociedade.

“Muito complicado, está insuportável ficar aqui dentro. O lugar é apertado, tem muita gente e só uma policial civil trabalhando. Pelo menos 20 pessoas estão esperando para registrar um boletim de ocorrência. Tem água do bebedouro, mas apenas um copo descartável para todo mundo revezar”, comentou uma vítima de crime que não quis se identificar.

Um técnico em mecânica disse que o problema é antigo e que se sentiu desrespeitado na delegacia.

“São três horas esperando para fazer um boletim de ocorrência, só uma pessoa está atendendo. Eu acho um desrespeito com o cidadão”, pontuou o técnico de mecânica.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil disse que o problema foi pontual, mas não falou sobre a infraestrutura da delegacia de Laranjeiras. Porém, depois que o Sindipol/ES relatou o fato nas redes sociais, muitas pessoas disseram ter encontrado o mesmo problema em outras delegacias do estado.

“Não é somente na Serra. A demora no DPJ de Vitória também é um absurdo. De madrugada então, nem se fala. Se já houver uma guarnição da PM tentando registrar um flagrante na sua frente, você vai esperar pelo menos umas 2h para ser liberado”, comentou o internauta na rede social do Sindipol/ES.

DEFASAGEM PREJUDICA POPULAÇÃO

Para o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo a situação é caótica e reflete a falta de investimentos na Polícia Civil capixaba, principalmente nos últimos quatro anos. Atualmente, a defasagem no quadro de policiais supera 60%, chega a 80% na Superintendência de Polícia Técnico-Científica. Atualmente, a Polícia Civil do estado possui apenas 1.900 policiais, desse total, 300 já podem se aposentar.

Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES
Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES

“Não tem como esconder o problema. A gestão anterior fechou delegacias, dificultou o acesso à população e, assim, mascarou os números da violência no estado. A população já percebeu que faltam policiais civis nas delegacias. É necessário concurso público imediatamente e não estamos falando der concurso com 150 vagas. Além disso, diversas delegacias necessitam de reformas. O problema é real e compromete todo o sistema de segurança pública capixaba”, finalizou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

 

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