moradores-pedem-volta-da-delegacia-de-sao-torquato

Depois que a delegacia foi fechada, moradores afirmam que a violência aumentou no bairro. Comunidade está no meio do fogo cruzado. Região vive uma guerra entre traficantes que disputam o controle dos pontos de vendas de drogas.

A delegacia de São Torquato foi fechada em abril de 2017. Nesse período, segundo os moradores, o bairro foi tomado por criminosos.

“Nos últimos anos a violência tem aumentado muito na região. E a única fronteira que a gente tinha era a delegacia, a única porta de segurança que tínhamos era a delegacia. Infelizmente, sem comunicar a comunidade ela foi fechada. Até hoje a gente não sabe o motivo, se foi vontade política ou não, mas está fazendo falta”, disse um morador.

Na gestão do governador Paulo Hartung, em menos de quatro meses, seis delegacias foram fechadas na Grande Vitória, principalmente, pela defasagem no número de policiais civis. Segundo levantamento do Sindipol/ES, hoje, a defasagem supera 60% e pode se agravar ainda mais, já que mais de 200 policiais podem se aposentar a qualquer momento.

Em São Torquato, em 2019, no Morro da Boa Vista, já foram registrados diversos tiroteios e mortes. A PM faz prisões e apreensões, porém, sem o trabalho investigativo feito por policiais que conheçam o bairro, muitos criminosos continuam impunes.

“Para isso que serve uma delegacia de bairro. Se fala tanto na proximidade do policial com a comunidade e o que vemos é o contrário. O fechamento da delegacia pode ser apontado, sim, como um dos principais fatores que impulsionaram essa guerra de traficantes”, pontuou Jorge Emilio Leal, presidente do Sindipol/ES.

Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES
Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES

Muitos moradores concordam com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo.

“Depois do fechamento da delegacia a gente percebeu o aumento da criminalidade aqui no bairro. Roubo de celulares, arrombamentos, tiroteios, mortes. Praticamente todo dia tem algum crime por aqui”, explicou o morador.

O Sindicato dos Policiais Civis acredita que também é necessária uma reformulação nas leis brasileiras para garantir que criminosos não fiquem impunes, porém, o presidente do Sindipol/ES lembrou do papel da Polícia Civil na prisão dos suspeitos.

“Quando não existe investigação e provas palpáveis que reforçam a importância da prisão de bandidos, eles, geralmente, são liberados nas audiências de custódia. Isso por que são presos por um único crime, as vezes por porte de arma, por exemplo. Quando a polícia civil investiga e faz a ligação da arma apreendida, do tráfico e do homicídio, a chance desse criminoso ficar mais tempo preso é bem maior. São mais elementos para a justiça entender a periculosidade e manter a prisão do suspeito”, finalizou o presidente Jorge Emilio Leal.

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!