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Jorge Emílio Leal, especialista em Inteligência de Segurança Pública e presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo falou sobre a insegurança que tomou conta da sociedade capixaba, dada a ausência de investimentos e de políticas públicas realmente estruturantes para a Polícia Civil e para a segurança pública de uma forma geral no Brasil. 

As forças de segurança pública brasileira passam por uma crise existencial sem precedentes. No Brasil de norte a sul, de leste a oeste. Já no Espírito Santo o quadro não é diferente, além da defasagem no quadro operacional da Policia Civil que supera 60% de defasagem do efetivo policial, soma-se o fato de que, diversas delegacias e unidades policiais (DML e SML) estão em péssimas condições estruturais.

Via reflexa, as estruturas físicas dos prédios não oferecem o mínimo de segurança aos profissionais, cidadãos e usuários do sistema que são obrigados a permanecer em um ambiente adverso não condizente com o que prega a CF88, em que o mínimo essencial para se laborar é um ambiente saudável e salubre de trabalho. Uma situação caótica que interfere diretamente na qualidade das investigações, na valorização dos profissionais e no serviço prestado a população. 

EMILIO BRASILIA
Presidente do Sindipol/ES foi a voz dos policiais civis em Brasília.

De acordo com Jorge Emílio Leal, a situação se agravou ainda mais nos últimos quatro anos no Espírito Santo. Em 2017, cujo Governo do estado à época, chegou a investir apenas R$ 268,14 na Polícia Civil, oportunidade em que realizou cortes nos investimentos e retirada de direitos trabalhistas dos policiais civis, além do achatamento salarial.

“A greve da PM foi a gota d’água no copo que transbordou. A desvalorização, o acúmulo de trabalho, a falta de estrutura são problemas rotineiros para os policiais civis e militares do estado. Se agravou na gestão do governador Paulo Hartung. A política de massacre as instituições policiais que ele implantou fez a violência explodir no Espírito Santo”, pontuou o presidente do Sindipol/ES.

Em outros estados do país a realidade não é muito diferente. No Maranhão, por exemplo, também em 2017, os policiais civis foram despejados por falta de pagamento dos aluguéis por parte do Poder Executivo. No Rio de Janeiro, em algumas delegacias sequer tem materiais básicos como papel e caneta e o quadro geral é o mesmo daqui, ou seja, a situação é caótica dado o estado de abandono da instituição policial civil. 

BRASIL: UM PAÍS SEM POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA

Assaltos, sequestros, facções criminosas, tráfico de drogas, guerra de bandidos, comunidades nas mãos de milicianos, esse é cenário de muitos estados da Federação, em que o crime está em alta. Apesar dos dados apontarem queda de 22% nas mortes violentas em comparação com o mesmo período de 2018, o país ainda vive com medo da violência endêmica. 

Jorge Emílio Leal
Para Jorge Emílio, ainda faltam projetos para segurança pública no país

Segundo o presidente do Sindipol/ES, apesar da redução dos índices, ainda é necessário criar instrumentos que melhorem a segurança, pois não é o suficiente ao controle social e a paz social.

 “Começamos o ano com a expectativa de uma maior integração e de políticas realmente estruturantes, mas até agora o governo tem se mostrado bastante tímido na tarefa para buscar reformas e melhores condições para a categoria e o combate ao crime, criminosos e criminalidade”, disse:

Jorge Emílio também destacou que ainda chama a atenção a falta de projetos na área da segurança pública, bem como de ações estratégicas que integrem as demais agencias policiais que envolvem a segurança pública, desde a efetiva padronização de ações, procedimentos, investimentos específicos e, inclusive a valorização salarial. 

 “É lamentável ver as forças de segurança do Brasil definhando por ingerência e falta de políticas públicas estruturantes. O Governo precisa investir na segurança pública. Precisamos de concursos públicos, delegacias com estruturas dignas, armamentos de qualidade, cursos de capacitação  e formação continuada, e não somente a compra de viaturas, mas também, reconhecer a importância da atividade policial, do risco inerente ao exercício da atividade de segurança pública, bem como a valorização profissional dada a complexidade das atribuições com a respectiva valorização salarial”, concluiu o presidente.

 

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS