levantamento-mostra-que-policia-civil-desvenda-poucos-casos-no-es

De acordo com o Monitor da Violência do Portal de Notícias G1, apenas 40% dos casos listados em reportagens foram solucionados no Espírito Santo. Sindipol/ES acredita que a precarização das estruturas físicas da Polícia Civil, a falta de equipamentos e de valorização para os policiais são fatores determinantes para o baixo índice.

Em 2017, o Monitor da Violência listou 28 mortes que aconteceram no Espírito Santo e o G1 acaba de divulgar que, dois anos depois, apenas 11 desses crimes foram solucionados pela Polícia Civil do Espírito Santo. 60% dos crimes continuam sem solução, nenhum suspeito foi identificado ou preso.

O Monitor da Violência é um projeto do portal de Notícias G1 e envolve 230 jornalistas em todo o Brasil. É um trabalho inédito em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No Espírito Santo, o Sindipol/ES colaborou com as reportagens lançadas pelo Monitor da Violência como fonte de informação. De acordo com o presidente do Sindipol/ES, os resultados divulgados pelo G1 com o Monitor mostram a dificuldade que a Polícia enfrenta para solucionar tantos crimes, mas também revelam qualidades dos profissionais capixabas.

capa matéria baile do mandela

“É simples explicar esse baixo índice. Faltam policiais civis nas delegacias, algumas delegacias fecharam no governo passado e muitas unidades necessitam urgentemente de reformas. Além disso, temos um policial desmotivado por não ter o direito de revisão anual de salário que é garantido por lei. Já são mais de quatro anos sem reajuste, um déficit de 28% no salário dos policiais civis capixabas. Entretanto, no Brasil, o Espírito Santo ainda segue no topo da lista dos estados que mais solucionam crimes. Isso mostra o potencial e a competência dos nossos policiais civis. Eles guerreiros que se superam a cada dia”, disse Aloísio Fajardo, presidente do Sindipol/ES.

Veja também:

DELEGACIA DE MONTANHA: EM MENOS DE 12H BANDIDOS QUE QUEIMARAM CARROS SÃO PRESOS

No Espírito Santo, o Sindicato já denunciou a precariedade de delegacias ao Ministério Público do Trabalho, pediu insalubridade na justiça para os policiais e sempre destacou a importância de concurso público para repor o quadro de funcionários da Polícia Civil. Atualmente, segundo levantamento feito Sindipol/ES com base em números oficiais do governo, a defasagem no quadro operacional chega a 60% e supera esse percentual em alguns Departamentos.

“A situação é mesmo crítica e não dá para ignorar os fatos. A Polícia Civil capixaba precisa ser reformulada para prestar o serviço que toda sociedade espera. Se fala muito nas mudanças de leis no país, mas, se tivéssemos uma Polícia Civil mais estruturada, um policial bem treinado para investigar, prender e oferecer denúncias consistentes à justiça, não teríamos esse prende e solta que vemos”, finalizou Clóvis Guioto.