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A Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp) anunciou uma redução histórica no número de homicídios, crimes contra o patrimônio e furtos e roubos de veículos e celulares. Porém, nas ruas, o cidadão ainda não percebeu a diminuição anunciada pelo governo capixaba. Para o Sindipol/ES, o fechamento e a mudança de endereço de delegacias podem ter influenciado alguns dados.

Os números de crimes foram contabilizados de janeiro a setembro e comparados ao mesmo período do ano passado. De acordo com a Sesp, houve uma redução de 21,2% de redução no número de mortes violentas, a maior dos últimos 23 anos. Também ouve queda de 16% nos casos de furtos e roubos de veículos e 6% de telefones celulares.

O secretário de segurança, Roberto Sá, fez questão de exaltar os policiais. “Agradeço aos meus policiais por isso. A redução da criminalidade é fruto do trabalho desses profissionais, que saem de casa sem saber se irão voltar”, disse Roberto Sá, secretário de Segurança Pública.

IMG_4365 (Custom)Apesar da redução, os números ainda assustam. 702 pessoas assassinadas, média de 78 por mês, duas por dia. 5.729 casos de roubo ou furto de veículos. O Sindipol/ES reconhece o valor e o empenho dos policiais civis capixabas, o que é inquestionável, mas também concorda com a população que ainda não sentiu nas ruas a redução da violência divulgada pelo Governo. O fechamento de delegacias e a descrença da população nas investigações podem ter influenciado os números divulgados.

“Na última gestão estadual muitas delegacias foram fechadas ou mudaram de endereço, o que dificultou o acesso da população às unidades policiais. A verdade é que muitas pessoas, até pela distância, hoje, não procuram as delegacias para registrar ocorrências de crimes de menor potencial. Algumas não acreditam que haverá investigação e outras afirmam que os presos ficarão em liberdade por causa das leis frouxas”, explicou Aloísio Fajardo, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo.

A defasagem no número de policiais civis somada a precariedade das delegacias e a falta de valorização e investimentos na instituição, para o vice-presidente do Sindipol/ES, Clovis Guioto, compromete todo o sistema de segurança pública.

clovis guioto“É o que a sociedade entende como o prende e solta. Acontece que muitos crimes, até mesmo esses de menor potencial, são praticados pelas mesmas pessoas. Porém, quando acontece uma prisão em flagrante, não existe uma investigação que comprove ou indique a autoria de outros crimes. A Polícia Civil não reúne provas suficientes para linkar o ladrão de celular ao arrombador, o homicida ao traficante ou usuário de drogas, não oferece um dossiê consistente, como deveria, para que a justiça mantenha o criminoso atrás das grades definitivamente por todos os crimes que ele cometeu”, disse.

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