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Na manhã desta segunda-feira (02/12), o aparelho de ar condicionado do Departamento Médico Legal de Vitória pegou fogo. Ninguém se feriu, mas o atendimento foi suspenso e transferido para o SVO do Hospital da Polícia Militar. Por diversas vezes a diretoria do Sindipol/ES alertou o governo sobre o risco no DML.

Às 9h começou a sair uma fumaça escura das janelas do Departamento Médico Legal de Vitória. De acordo com os bombeiros, foi um incêndio no ar condicionado que fica no segundo andar da unidade policial. Para apagar o fogo e permitir que fumaça saísse, os bombeiros tiveram que quebrar uma das janelas do DML. Em 30 dias, o laudo da perícia deve apontar o que causou o incêndio.

A diretoria do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol/ES) esteve no DML e acompanhou o trabalho dos Bombeiros. O presidente Aloísio Fajardo, lembrou que o sindicato fez diversas inspeções no departamento e comunicou ao governo o risco que a população e os policiais corriam.

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Precariedade no DML de Vitória.

Em março deste ano, durante uma inspeção sindical, os diretores do Sindipol/ES já haviam constatado o risco de curto circuito no DML. Em março, a geladeira usada para guardar corpos apresentava pane e funcionava com “gambiarras”, além disso, o sindicato também constatou que o Departamento Médico Legal de Vitória não possuía um sistema de climatização, o que acelerava o processo de decomposição dos corpos. No início do ano, os policiais tiveram que fazer uma “vaquinha” para consertar o ventilador da sala de necropsia, segundo eles, a temperatura no ambiente chegava a 40 grau. Veja como foi a inspeção.

A precariedade no DML de Vitória foi denunciada pelo Sindipol/ES à Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, que fez uma visita técnica na unidade. Porém, nenhuma intervenção do estado foi realizada.  

“O DML de Vitória passou por obras paliativas e isso também agravou a situação no departamento. Foram feitos “puxadinhos” que não resolveram o problema estrutural e não deram melhores condições de trabalho aos policiais civis. Existe um risco real para os profissionais da Polícia Civil que trabalham no DML e para toda sociedade. A prova do que estamos falando faz tempo foi o incêndio de hoje”, pontuou Aloísio Fajardo, presidente do Sindipol/ES.

Em julho, um médico e dois auxiliares de necropsia passaram mal depois que realizaram exames cadavéricos nos corpos dos tripulantes do navio mercante que morreram por causa de um vazamento de gás. O sindicato já informou também que a água de lavar corpos, sangue de vítimas e produtos químicos usados pelos profissionais do DML de Vitória vai direto para a rede de esgoto comum, sem nenhum tratamento. Também existe risco de fuga no DML.

Depois de muita cobrança do Sindipol/ES, a lei que estabelece o pagamento do adicional de insalubridade para os policiais civis que trabalham no Departamento Médico Legal (DML) e nos Serviços Médico Legal (SML) do estado foi editada em outubro de 2017 e regulamentada em 2018. Porém, até hoje, o governo ainda não pagou o benefício para os policiais civis, mesmo o Sindicato entrando na justiça exigindo o pagamento.

“A gente segue acompanhando a situação e lutando para que os policiais civis que trabalham no DML recebam o adicional de insalubridade. Também reforçamos a necessidade de obras consistentes no departamento”, finalizou o presidente do Sindipol/ES.

 

“FORÇA, UNIÃO E LUTA”