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O caso absurdo aconteceu no Serviço Médico Legal de Colatina (SML), Noroeste do Espírito Santo, na última segunda-feira (17). O pai precisou ajudar na perícia do filho para agilizar a liberação do corpo. O Sindipol/ES já fez várias denúncias sobre a precariedade do SML.

Na última segunda-feira faltou água e auxiliar de perícia no SML de Colatina, o reflexo foi um atraso de mais de 10 horas na liberação dos corpos no Serviço Médico Legal. Para tentar agilizar o processo, pessoas de forma voluntária tiveram que trabalhar como auxiliar de perícia para liberar os corpos de familiares mortos. Foi o caso do seu Gessé, agente penitenciário. Ele vestiu jaleco branco e máscara, enfrentou a dor de perder um filho e fez o trabalho que deveria ter sido feito por policiais civis.

“Eu cheguei aqui mais cedo para ver se o corpo do meu filho estava liberado, porém, não tinham pessoas para fazer o serviço que eu estou fazendo agora. Não é fácil para mim. É meu filho que estou virando e ajudando para dar um enterro digno”, disse Gessé Barcelos, pai que trabalhou como auxiliar de perícia para liberar o corpo do filho assassinado.

Para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, Aloísio Fajardo, a situação do SML de Colatina é lamentável.

“É inadmissível alguém passar por isso. Onde já se viu, um pai ter que ajudar na liberação do corpo do filho dentro de uma unidade da Polícia Civil, ou seja, dentro de um órgão público. O cidadão paga caro por um serviço que não é oferecido. É lamentável ainda hoje a gente se deparar com cenas como essas”, disse Aloísio Fajardo.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do estado disse à imprensa que mantém concurso público para contratar 170 funcionários, como médicos legistas e auxiliares de perícia, mas não deu nenhum prazo de quando isso deve ocorrer.  

Na avaliação do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo o problema é grave e precisa de uma solução imediata e urgente, tendo em vista a informação da própria Secretaria de Segurança Pública de que não há prazo definido para a contratação de novos servidores. Assim, o Sindicato apresenta como uma forma de suprir emergencialmente a carência de novos servidores, o retorno dos policiais civis aposentados às atividades institucionais por meio da regulamentação da Lei Complementar número 850, de 17/03/2017, que institui o Serviço Voluntário de Interesse Policial (SVIP), até que esses novos policiais sejam devidamente contratados para a minimizar a atual defasagem na PCES.

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