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Na quarta-feira (29), em seu pronunciamento na sessão virtual da Assembleia Legislativa, ao falar sobre desigualdade social, o deputado Enivaldo dos Anjos criticou o tratamento dado pela Polícia Civil do Espírito Santo nas investigações e citou como exemplo dois casos de repercussão; o acidente com a lancha e o vendedor de balas do Transcol.

Uma estudante universitária de 25 anos morreu quando uma lancha se chocou contra uma passarela de embarque e desembarque do porto de Vitória. A lancha estava sendo pilotada por um empresário que é o dono da embarcação. Por se tratar de uma área portuária, inicialmente, a investigação ficou a cargo da Capitânia dos Portos, que já no domingo periciou o local da colisão e a lancha.

O acidente foi no início da noite do último sábado (25). Na terça-feira, a Polícia Civil anunciou que também iria investigar as causas e responsabilidades. O deputado Enivaldo dos Anjos disse que houve demora para a Polícia abrir inquérito e comparou o caso com o do vendedor ambulante.

Na segunda-feira (27), dois dias depois que o caso da lancha já havia sido noticiado, veio a público o vídeo que estava sendo compartilhado em massa pelas redes sociais, do vendedor ambulante xingando, ameaçando e ofendendo passageiros do sistema de transporte público do estado.

“Se você puder ajudar, amém. Se você está com miséria de me ajudar, leva para casa e joga fora. Não tenho medo de polícia, nem de vigilante e nem de advogado […]”, ele diz em um trecho do vídeo.

Após o caso ser noticiado pela imprensa, o vendedor ambulante procurou a Polícia Civil, foi ouvido e liberado por que nenhum passageiro prestou queixa contra ele, porém, o delegado da Patrimonial explicou que as abordagens caracterizavam crimes de ameaça. 

“Nós convidamos ele a comparecer à delegacia para prestar declarações sobre essas ameaças que ele tem feito nos coletivos. Isso é crime de ameaça, de menor potencial ofensivo”, disse o delegado.

O deputado Enivaldo dos Anjos fez duras críticas à Polícia Civil por entender que houve um tratamento diferenciado nos dois casos.

“Quanto ao caso do baleiro, pobre trabalhador informal, que dentro do ônibus tentou forçar uma venda de bala e chiclete, naquela ânsia de conseguir ser visto, no desespero, pela falta de recursos, de dinheiro para alimentar sua família, ele cometeu o que a sociedade elitizada chama de agressão. No outro dia já estava na delegacia”, disse Enivaldo dos Anjos em seu pronunciamento.

Deputado criticou a Polícia Civil em sessão virtual.

O vendedor ambulante que aparece no vídeo nervoso, xingando e ofendendo os passageiros, ficou um ano e dois meses preso por agredir o próprio filho. Em setembro de 2012 ele foi preso em flagrante por agredir o bebe que tinha apenas 11 meses.

SINDIPOL/ES NÃO CONCORDA COM POSIÇÃO DE PARLAMENTAR

O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, com todo o respeito ao deputado Enivaldo dos Anjos, vem a público dizer que não concorda com o pronunciamento do parlamentar por ele ter citado casos distintos, fatos imprecisos e mostrado certo desconhecimento da competência do trabalho da Marinha e da Polícia Civil.

A diretoria do Sindipol/ES acredita que o deputado acabou se equivocando em alguns pontos durante o pronunciamento, assim, criticando injustamente a instituição e seus profissionais.

Como representante legítima de toda categoria, o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo lamenta a posição do deputado e lembra ao parlamentar que a defasagem no quadro operacional da Polícia Civil superou os 50 %, que mesmo trabalhando, muitas vezes, em ambientes insalubres, sobrecarregados pela ausência de efetivo e em desvio de função, mesmo na pandemia, os policiais civis capixabas seguem apresentando resultados expressivos e reafirmando seu comprometimento com a segurança da população.

FORÇA, UNIÃO E LUTA!