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A polícia civil brasileira está prestes a fechar as portas. Em diversos estados da Federação os policiais civis se deparam com situações precárias de trabalho que ferem os princípios da dignidade da pessoa humana. Hoje, o profissional da polícia judiciária sai de casa sem saber se vai voltar.

No Espírito Santo, o Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol/ES) tem constatado situações de calamidade. Na contramão do crescimento populacional, o efetivo da polícia civil despencou. Hoje, a defasagem geral é de aproximadamente 59%. No caso da Superintendência de Polícia Técnica Científica (SPTC), esse número se agrava ainda mais. A defasagem chega a 80%, uma total falta de respeito com o policial civil e com a sociedade que tem sua segurança comprometida.

O Sindipol/ES realizou inspeções sindicais por todo estado e a situação se repete. Faltam condições de trabalho, os ambientes são totalmente insalubres, faltam materiais necessários para o exercício da função. Hoje, a polícia civil capixaba se depara com coletes vencidos, viaturas sucateadas, até mesmo algumas armas costumam falhar, como já denunciou o Sindicato.

Nas unidades policiais, por falta de estrutura, o contato entre presos, vítimas e testemunhas é frequente, sem o mínimo de segurança ao cidadão, mesmo dentro das unidades policiais pela total falta de estrutura. Com a denúncia feita pela Organização Sindical, o Ministério Público instaurou um inquérito para apurar a situação de 38 delegacias em todo Espírito Santo. Sobra desvios e usurpação da função pública, falta de recursos humanos e materiais, face a ausência de investimentos na Polícia Civil, por uma política de governo implementada em ações paliativas que não resolvem o problema da segurança pública capixaba devido a nenhuma implementação de política de estado realmente estruturante.

“Não dá pra aceitar. Isso é vergonhoso. Toda a população está refém dessa política governamental de massacre da segurança pública. Os policiais civis estão cansados, sem condições mínimas de exercer suas funções. Como organização sindical representante da categoria, estamos tomando todas as providências e medidas judiciais cabíveis no âmbito estadual, nacional e até internacional. Estamos formulando uma denúncia na Organização Internacional no Trabalho (OIT) contra a política de governo do Brasil no âmbito do estado do Espírito Santo”, afirmou, Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

O caos na segurança pública está presente em todo o país e quando o assunto é a polícia civil, a situação é ainda pior, veja alguns exemplos.

Maranhão

No Maranhão, policiais civis foram despejados de uma delegacia na cidade de Peritoró. O motivo? Falta de pagamento dos aluguéis do imóvel por parte do Executivo. A delegacia então foi realocada para um simples quarto dentro do Quartel da Polícia Militar. A sala mede aproximadamente 8 m². O Sindicato dos Policiais Civis do Maranhão (Sinpol/MA) denunciou que a desvalorização vai desde a falta de recursos materiais a humanos. Veja.

 Bahia

No início deste mês, o Sindicato dos Policiais Civis da Bahia fez uma denúncia de que os policiais estão trabalhando com coletes vencidos. As peças venceram em 2012 e até hoje não foram trocadas. A falta do equipamento faz com que cerca de 600 agentes trabalhem sem a proteção. As armas utilizadas também apresentam falhas constantemente. Veja.

Rio grande do sul

No Rio Grande do Sul, ir a uma delegacia coloca em risco a própria vida, foi o que constatou o Sindicato dos Policiais Civis do RS (Sinpol/RS). Condições estruturais precárias, delegacias com mais de 30 presos, e o desvio de função fazem parte da rotina do policial civil gaúcho. Nos presídios improvisados a relação é de seis presos para cada policial. Veja.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, além das péssimas condições, a polícia civil sofre com a falta de efetivo. Em 2012, uma lei estadual afirmava que o Estado deveria ter 23.126 policiais, mas a realidade é de 9.700 profissionais. Em algumas delegacias, não tem sequer materiais básicos como papel higiênico e caneta, de acordo com matéria veiculada pelo Globo News. O Sindicato dos Policiais Civis do Rio de Janeiro (Sindipol/RJ) denunciou que a categoria está sobrecarregada. Veja.

Especialista fala que em breve a Polícia Civil pode fechar as portas

O diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), professor Renato Sérgio de Lima, fez uma previsão para o país. Ele disse que “muito em breve” as Polícias Civis entrarão em colapso.

“Em meio a esse processo, que junta crise da sua missão fim (investigação), falta de recursos e baixa prioridade política de governantes, temo que as Polícias Civis entrarão em colapso muito em breve”, ponderou o professor.

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