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O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) acredita que o fechamento e a mudança de endereço de algumas delegacias do estado dificultaram o acesso da população e, por isso, e muitos crimes deixaram de ser comunicados a polícia, mascarando os índices de violência em alguns municípios.

O Espírito Santo registrou 1080 assassinatos de janeiro a setembro de 2017. Um aumento de 19% em relação ao ano passado, onde foram registrados 905 homicídios no mesmo período. Os dados da Secretaria de Segurança estadual mostram que só em setembro, foram 50 homicídios na Grande Vitória. 17 na Serra, 13 em Cariacica, 10 em Vila Velha; seis em Vitória; dois em Guarapari; um em Fundão e um em Viana.

Na Região Metropolitana fica o município onde mais se mata em todo estado. Por décadas, a Serra lidera esse triste ranking. Foram 237 mortes nos primeiros nove meses deste ano. Entretanto, o secretário de Defesa Social do município, de forma leviana, veio a público dizer que tem reduzido crimes patrimoniais, de homicídios e furtos e roubos de veículos com ações sociais na cidade.

Para o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES), a Serra é um exemplo da política pública de segurança implantada no estado, de desmonte das instituições policiais. No município, as delegacias de Serra Sede, André Carloni e Novo Horizonte foram fechadas e, “provisoriamente”, realocadas nas unidades regionais de Jacaraípe, Laranjeiras. A delegacia de defesa da mulher foi transferida para o bairro Jardim Carapina, em uma sala cedida pelo Detran.

MUDANÇAS DIFICULTAM ACESSO DA POPULAÇÃO E SOBRECARREGAM POLICIAIS

Delegacias registram média de 450 boletins de ocorrências por mês. A delegacia de Jacaraípe é responsável por atender 24 bairros, uma média de 150 mil habitantes. Mas tem apenas seis policiais trabalhando na unidade: um delegado, que antes da mudança já respondia por Novo Horizonte, dois escrivães e três agentes/ investigadores.  A delegacia de Jacaraípe registra uma média de 500 boletins de ocorrência por mês. Destes, aproximadamente 39 inquéritos são instaurados e uma média de 350 aguardam investigação. 

Já a delegacia de Novo Horizonte, que agora funciona em Jacaraípe, a 15 km do antigo endereço, atende 31 bairros, uma média de 150 mil habitantes, e registra aproximadamente 470 boletins de ocorrência por mês.  A partir das ocorrências, a delegacia tem média de 40 inquéritos instaurados e 450 aguardando investigação.  São oito policiais trabalhando na delegacia. Dois policiais ficam no cartório, dois no atendimento ao público, que agora funciona na garagem da delegacia de Jacaraípe, e três são responsáveis pelas investigações, intimações e cumprimento de mandados de prisão, por exemplo.

“São regiões onde são registrados vários crimes diariamente, inclusive, homicídios. Todo dia tem roubo no comércio de Jacaraípe, na Abdo Saad, na rua da delegacia e os policiais civis não podem fazer nada diante da total falta de estrutura, recursos ou investimentos que relegam a polícia judiciária ao estado de abandono e caos.”, explicou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES e especialista em Segurança Pública.

Para o Sindicato dos Policiais Civis, o fechamento e mudanças de delegacias só dificultam o acesso da sociedade às unidades policiais, o que, consequentemente, afeta nos índices de crimes praticados no estado.  Por isso, pela distância, vítimas deixam de ir à delegacia e crimes não são registrados.

O Sindicato destaca outro ponto. Essas delegacias foram fechadas ou mudaram de endereço porque estavam sucateadas ou não possuíam policiais suficiente para trabalhar. A defasagem no quadro operacional chega a mais de 80%.  São 1.582 policiais civis a menos do que prevê a lei 741/2013. No Espírito Santo também existem delegacias fantasmas, que só existem no papel, é o caso das delegacias de Praia das Gaivotas, Jardim Carapina, Terra Vermelha e Nova Rosa da Penha, dentre outras.

 

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!