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Por vários anos o estado do Espirito Santo, nos mais diversos governos, na conjuntura política de linhas e tendências diferentes, tem adotado uma postura de isolamento das duas forças policiais no posto principal da pasta da segurança pública.  Como ficaria o equilíbrio dessas forças na gestão da segurança púbica? O equilíbrio tem até então se mantido por meio de pessoas oriundas de outras forças e de outros órgãos de fora do Estado. São os chamados forasteiros, que desconhecem a cultura, a história e a formação do povo capixaba. Só passam a conhecer cada pedaço de terra do solo espírito-santense quando decidem se aventurar à carreira política, por encontrarem a porta aberta e a hospitalidade de um povo que sempre tratou bem seus visitantes.

Como exemplo, tivemos a frente da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) delegados federais, promotores e procuradores de Justiça, além de alguns delegados civis, coronéis e generais militares.

Não podemos deixar lembrar de alguns secretários, como  Nício Lacorte Bitencourt, José Augusto Bellini, Rodney Miranda (2 vezes) e Ivan Marques; o procurador do Estado de Pernambuco André Garcia – atual titular da Pasta –, o ex-desembargador Federal Henrique Herkenhoff – ele abriu mão de um cargo vitalício, o de desembargador federal, para assumir a direção da Sesp e agora é advogado no Estado –, além do professor e procurador de Justiça Luiz Carlos Nunes e dos promotores de Justiça Evaldo Martinelli, Aloisio Simões e Zélio Guimarães.

Nessa eclética lista temos que considerar ainda ter sido cogitado o nome de José Maria Beltrame, que foi Secretário do Estado do Rio de Janeiro. Temos ainda nomes das duas forças policiais, alguns coronéis e delegados daqui, a exemplo de Adão Rosa, Mário Lopes e Gilson Gomes enquanto delegados civis, e os coronéis Luiz Sérgio Aurich e Éldio Celante. Sem falar no então senador Dirceu Cardoso.

Esse perfil de gestores não deu muito certo, por que não se alcançou o equilíbrio entre as polícias. Nos vários governos de diversas tendências, seja de esquerda, de direita ou não, grande parte optou por trazer um secretário de Segurança Pública de fora das forças policiais do Estado.

Outro bom exemplo ocorreu no governo Vitor Buaiz, em que foi escolhido para a Pasta o nobre general do Exército Luiz Edmundo de Mello, que em sua época atuou de forma brilhante e incisiva, no melhor perfil de um combatente, mesmo num governo que passou por grave crise financeira.

Uma coisa é certa: a segurança da população não avançou em todo esse período da história da pasta. O delegado Rodney Miranda veio do Distrito Federal. Não foi um dos melhores secretários que o Espírito Santo já teve e, mesmo assim, conseguiu se eleger deputado estadual em 2010, sendo o mais votado. Foi eleito com uma eficiente estratégia publicitária, promovida pelo próprio Governo do Estado.

Rodney Miranda ficou dois anos como parlamentar, foi eleito prefeito de Vila Velha e, não alcançou o carisma canela verde em sua gestão pública, por isso, não foi reeleito. Hoje é secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb) do Espírito Santo. Delegado Federal aposentado que anda com seguranças militares.

Rodney Miranda fez escola. Deixou em seu lugar o pernambucano André Garcia, que veio do Recife por intermédio dele. Garcia chegou, gostou e ficou. Como gestor de Segurança Pública, no combate a violência também enfrentou seus revezes na pasta.

É um possível candidato a uma vaga no Parlamento Federal ou Estadual, mesmo com todos os problemas na área que comanda. Já é considerado capixaba quando acompanha policiais civis e militares em operações na periferia.

Assim, com a crise da Polícia Militar que explodiu em fevereiro de 2017 e já faz um ano, como ficará a segurança pública se no mês de abril o Secretário se afastar para o pleito eleitoral de 2018? Quem seria o seu sucessor? Uma autoridade de fora ou do estado? Aposentado ou da ativa? Oriundo das forças estaduais ou de outras forças? Não se pode esquecer o Comandante da PM e o Chefe da Polícia Civil como potenciais sucessores e também alguém da própria Sesp para dar continuidade sucessória até outubro. Temos o fato de que o Comandante da PM já respondeu pela Sesp por 15 dias e a Subsecretária de Integração também respondeu pelo mesmo período. Permanece a questão, qual seria o perfil para assumir a Sesp nesse período eleitoral, de abril a outubro, um militar ou um civil para tão complexa pasta, devendo se prestigiar de toda forma as polícias e a sociedade.

 

(Jorge E. Leal é especialista em Inteligência de Segurança Pública, Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do ES e Vice-presidente da Confederação Brasileira dos Policiais Civis).