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Em terras capixabas, 12 meses após o estopim que deixou evidente a ineficiência das políticas públicas de segurança, vitimou centenas de pessoas e virou destaque em todo mundo, a população segue amargando o aumento de assassinatos e crimes patrimoniais diversos.

A crise

Foram 22 dias de terror e incertezas. A violência explodiu como uma bomba atômica e seus efeitos foram percebidos em todo o estado do Espírito Santo. A população acordava e dormia sem a Polícia Militar nas ruas.  O mês era fevereiro, e o aumento no número de mortes no mês, quando comparado ao ano anterior foi de 14,4%, foram registrados 204 homicídios. O município de Serra foi o mais violento com cerca de 50 mortes.  Além disso, também aconteceram centenas de arrombamentos e saques no comércio. 200 lojas foram saqueadas em 24 horas, prejuízo de R$ 2 milhões. Ao todo, foi calculado um prejuízo estimado em R$ 180 milhões ao comércio capixaba, de acordo com a Federação Capixaba do Comercio (Fecomércio).

Durante o mês de fevereiro, foram roubados ou furtados 1300 veículos no Espírito Santo. Nas duas primeiras semanas da crise, 921 pessoas perderam seus carros ou motos, um aumento de 285% se comparado ao mesmo período de 2016.

Impedidos de fazer greve pela lei, foram as mulheres dos policiais militares que fecharam as portas dos batalhões e paralisaram a PM do ES. Elas cobravam direitos básicos para os maridos e profissionais da segurança pública, como revisão anual de salário, recomposição, estrutura de trabalho e equipamentos adequados; O evento ocorreu em razão de estarem totalmente abandonados pelo estado e devido a falta de valorização profissional.

Foi a diretoria do Sindipol/ES que preocupada com a segurança e a estrutura de trabalho dos policiais civis do Departamento Médico Legal de Vitória e demais unidades policiais, passou a denunciar a superlotação no DML e tornar público o número de assassinatos no período de crise na PM, números que não eram fornecidos a imprensa pela Secretaria de Segurança estadual. 

Diretoria do Sindipol/ES durante inspeção no DML da capital.
Diretoria do Sindipol/ES durante inspeção no DML da capital.

O Sindicato dos Policiais Civis convocou uma Assembleia Extraordinária, e a categoria decidiu não paralisar a PC/ES por entender o momento difícil que a população enfrentava. O Sindipol/ES entregou uma pauta de reivindicações ao Governo do Estado.

Atuação dos policiais civis

Os policiais civis foram e são guerreiros de elite e só comprovaram isso atuando com garra no período de crise, mesmo com efetivo defasado em mais de 60% e recebendo um dos piores salários do país. Mas não teve jeito, era inevitável que, com poucos policiais nas delegacias e ambientes de trabalho totalmente insalubres, o serviço prestado pela Polícia Civil à sociedade também fosse comprometido.

Após um ano, o que melhorou?

A crise nas instituições de segurança pública do estado do Espírito Santo persiste. O número de homicídios cresceu, o efetivo da PM e da PC/ES não foi recomposto e delegacias da Polícia Civil e os policiais militares ainda enfrentam péssimas condições.

FALTA DE ESTRUTURA COMPROMETE SISTEMA DE SEGURANÇA

Uma alta mortandade que contabilizou 204 mortes e crimes sem solução.  Muitos casos foram arquivados por falta de provas ou concluídos sem indiciamento, já que os autores não foram identificados.  O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) fez uma pesquisa e constatou que faltam policiais nas delegacias para investigar tantos crimes.

De acordo com o levantamento feito pelo Sindipol/ES, a Polícia Civil capixaba conta com um efetivo defasado em mais de 60%. A Superintendência de Polícia Técnico-Científica, por exemplo, tem seu quadro de pessoal com 80% de defasagem.

emilio perfil 2“É praticamente impossível que com o atual efetivo da Polícia Civil e a falta de estrutura, as mortes sejam investigadas e solucionadas. Os policiais tem se desdobrado no exercício da função, mas o baixo número de profissionais e as péssimas condições de trabalho prejudicam e muito no serviço prestado a sociedade. É lamentável, pois um ano depois da crise que tornou a sociedade refém do medo, as coisas apenas pioraram com a insegurança e sensação de impunidade generalizada pagas em alto preço em nome do ajuste fiscal implantado pelo governo”, disse, Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

 

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS