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Muitos casos foram arquivados por falta de provas e concluídos sem indiciamento, já que os autores não foram identificados.  Essa afirmação do Governo estadual foi uma resposta ao levantamento feito pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol/ES) e à pesquisa do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O Sindicato destacou que houve um aumento no número de homicídios e o CNMP constatou que faltam policiais nas delegacias para investigar tantos crimes.

Depois que o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo divulgou o número de assassinatos em 2017, um aumento de 201 mortes comparado com 2016, a imprensa cobrou uma resposta da Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Foi durante uma entrevista concedida à TV Vitória que o delegado José Darcy Arruda, porta-voz do Governo, destacou que 64% de assassinatos no estado foram investigados e resolvidos. Percentual que coloca o ES na primeira posição no Brasil, quando o assunto é resolução de crimes, em especial, de homicídios. Ele também avaliou como normal o aumento de assassinatos e justificou o número elevado pela paralisação da Polícia Militar, em fevereiro.

Entretanto, o delegado não disse que após a paralisação da PM foi criada uma Força-Tarefa específica composta até por promotores do Ministério Público Estadual, justamente pelo fato da Polícia Civil capixaba não ter policiais suficientes para investigar tantos crimes e por causa dos diversos inquéritos acumulados nas delegacias, como constatou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Clique aqui e saiba mais.

Para desafogar a polícia judiciária, a Força Tarefa também apurou mortes que aconteceram antes do ano de 2010. Isso significa que muitos inquéritos foram concluídos sem indiciamentos. Esses inquéritos foram encaminhados ao Ministério Público com relatório sugerindo o arquivamento, pela falta de condições mínimas para se chegar a elucidação dos crimes. Ou seja, por diversos fatores, autores de crimes não foram identificados e punidos, principalmente autores de crimes sem repercussão. Além disso, existem casos em que o réu era confesso, mas a vítima ainda não havia sido ouvida.

Detalhe: A Força Tarefa que ajudou a desafogar o grande volume de inquéritos acumulados no Espírito Santo contava com 18 policiais civis. Hoje, apenas cinco estão trabalhando na apuração de assassinatos.

“Esse percentual não corresponde a realidade. E mesmo se correspondesse, se temos uma defasagem assustadora no número de policiais civis e o conseguimos solucionar 64% dos homicídios, imagina se tivéssemos o número de policiais suficientes nas delegacias? Teríamos 100% se resolutividade”, pontuou Humberto Mileip, vice-presidente do Sindipol/ES.

De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol/ES), a defasagem no quadro operacional da PC/ES supera 60%. Assim como a PM, a Polícia Civil capixaba atravessa uma crise sem precedentes, têm um efetivo reduzido, sofre pela falta de investimentos e não tem estrutura suficiente para o desempenhar as atividades policiais. Tudo isso reflete no aumento da criminalidade, como explicou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

“64% dos crimes que eles alegam que foram solucionados, não têm sequer indiciamentos. São crimes antigos que foram arquivados por falta de provas ou, até mesmo, por que as próprias vítimas já morreram. Eles trabalham no sistema de priorização. Não medem esforços e direcionam o efetivo diante do clamor público, mas, em regra geral, os crimes do cidadão comum não são investigados. Isso é um fato, e contra fatos não há argumentos”, destacou o presidente do Sindipol/ES.

O Sindicato dos Policiais Civis do Espirito Santo esclarece, que ao contrário das informações passadas pelo Governo, nos meses após a paralisação da Polícia Militar em 2017 o número de mortes no estado não se estabilizou, continuou crescendo. O Sindipol/ES também deixa claro que a nomeação de alguns policiais e o retorno dos policiais civis aposentados não supre a carência de profissionais na Polícia Civil. Contrapondo o posicionamento do Governo estadual, o Sindicato destaca que a Polícia Civil do Espírito Santo necessita urgente de reformulação, investimentos e concurso público.

 

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!