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A criação de novos departamentos e a suposta ampliação da Superintendência de Polícia Especializada (SPE) para o Sindipol/ES é uma forma de mascarar as deficiências estruturais e a falta de policiais para trabalhar nas delegacias do Espírito Santo. A defasagem na Polícia Civil capixaba supera 60% e chega a 80% na Superintendência de Polícia Técnico-Científica.

A primeira mudança anunciada é na Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten), que passa ser o Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc). O Departamento terá duas delegacias especializadas, núcleo de estudos e de projetos educacionais, e um núcleo de inteligência e de operações estratégicas. A criação do Denarc, segundo o projeto de “reestruturação”, irá ampliar a estrutura da Superintendência de Polícia Especializada (SPE).

Além do Denarc, a SPE terá três departamentos e cinco divisões; Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, a Divisão Especializada da Região Metropolitana, o Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), que em sua estrutura engloba a Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos, antiga Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), e a Divisão Especializada de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio (DRCCP).

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) também sofreu mudanças. A DHPP teve sua estrutura “ampliada” e passou a ser o Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa, englobando a Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito, que passa a ser uma Divisão Especializada.

A proposta de reformulação da PC/ES também alterou nomes de algumas superintendências e a composição do Conselho de Polícia.

REESTRUTURAÇÃO NÃO MUDA POLÍCIA CIVIL CAPIXABA

Para o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, mais importante que alterar nomes de superintendências e criar departamentos a partir de delegacias que já apresentavam bons resultados, é investir em estrutura de trabalho para os policiais e em concurso público.

As inspeções sindicais feitas pelo Sindipol/ES revelaram a precariedade de várias delegacias de Norte a Sul do Espírito Santo. A diretoria do Sindicato encontrou unidades sem condições de trabalho. Delegacias com um número mínimo permitido de policiais, com paredes mofadas, infiltrações e, ironicamente, sem segurança. Em menos de três anos, 10 delegacias foram arrombadas no estado. Em Bom Jesus do Norte, por exemplo, falta combustível para abastecer viaturas. Veja aqui.

A calamidade na Polícia Civil capixaba foi constatada em pesquisa realizada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Além disso, há mais de três anos os policiais civis estão sem reajuste anual de salário. A defasagem salarial supera 18%.

O Sindicato dos Policiais Civis entende, que antes de falar em reestruturação é preciso investir na estrutura das delegacias, na valorização do policial e abrir concurso público para suprir a defasagem no quadro operacional.

“Transformar delegacias em departamentos e mudar nome de superintendência não vai reestruturar a Polícia Civil capixaba. Essa é mais uma forma de mascarar a ausência de políticas realmente estruturantes para a PC/ES. Estamos abertos ao diálogo e temos propostas. Precisamos de projetos definitivos e eficientes que saiam do papel, não de medidas paliativas”, pontuou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!