POLICIAIS CIVIS SÃO HOMENAGEADOS NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

A Assembleia Legislativa (Ales) realizou, na noite de terça-feira (14), sessão solene em homenagem à Polícia Civil do Espírito Santo (PCES). A solenidade foi requerida pelo deputado Delegado Danilo Bahiense (PL) e contou com a presença do deputado Torino Marques (PTB). No Estado, o Dia do Policial Civil é comemorado em 12 de junho. A data faz referência à morte de Domingos Martins, capixaba que participou como líder da Revolução Pernambucana e foi fuzilado em 1817, na Bahia. Ele é o patrono do órgão capixaba.

Desafios

A noite foi de comemorações e também reflexão sobre a instituição. Para o requerente da solenidade, a Polícia Civil tem sérios desafios. “Um deles é o efetivo. Em 1990 nós tínhamos 3.821 policiais. Três décadas depois, temos 2.500. Sem contar que a população daquela época era de 2,4 milhões de habitantes. Atualmente, passamos de 4 milhões e teríamos que ter pelo menos 6 mil policiais civis”, calculou Banhiense.

O parlamentar também falou que o Espírito Santo tem perdido servidores qualificados para outras instituições e também para outros estados. “Para ter uma ideia, um médico legisla ganha aqui R$ 5,7 mil brutos. Estuda seis anos na faculdade, faz residência, depois especialização, estuda para concurso e ainda passa pela academia de polícia. Lá em Roraima, o médico ganha R$ 22,7 mil de salário inicial”, comparou.

Ele apontou ainda o que considera ser outro grande problema: as delegacias fechadas. “Só pra citar Vitória, temos as unidades do Centro, Maruípe, Jucutuquara e São Pedro. O problema da falta de estrutura e de efetivo é a subnotificação de crimes. Sem apoio, o cidadão desiste de denunciar. Os furtos em ônibus, as vítimas quase nunca registram as ocorrências. Até por não acreditarem que terão pertences recuperados”, lamentou.

O policial Paulo Pignaton, que é presidente da Associação dos Agentes da Polícia Civil (Agenpol), endossou os comentários de Bahiense sobre as demandas de valorização salarial da PC. Ele explicou que recentemente a categoria teve avanço no plano de carreira, mas que ainda há muito a ser conquistado. “Uma injustiça salarial de décadas foi corrigida e temos esperança de que todas as outras tantas sejam revistas também”, pontuou.

Homenageados 

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), Aloisio Duboc Fajardo, falou sobre a homenagem. “É um momento ímpar. Esses policiais estão sendo reconhecidos pelo belo trabalho que fazem ou fizeram, apesar das dificuldades. Por isso, defendemos a atualização do quadro efetivo para responder à sociedade com mais rapidez. Isso só vai acontecer se tivermos concursos anuais para preenchimento das vagas como tem a Polícia Militar. Temos cargos em que a defasagem de pessoal chega a 60%”, pontuou. 

Os homenageados receberam a Medalha Policial Civil Edmar Guimarães, criada pela Resolução 4413/2016 com o objetivo de incentivar e valorizar os policiais civis. Guimarães, ou Guima como era chamado, foi escrivão e morreu em 2002, aos 51 anos, em um acidente com a viatura policial que ele dirigia durante uma investigação.
 

Fonte: Ales

 

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