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Na ausência do Estado, mais uma vez a criminalidade mostrou força no Espírito Santo. No último sábado (18), a jovem Thais de Oliveira, de 22 anos, foi covardemente assassinada com um tiro nas costas por não obedecer as leis de traficantes no bairro Morada da Barra, em Vila Velha.

O crime aconteceu enquanto a jovem, acompanhada pela família, teve o carro abordado por traficantes enquanto buscava um bolo de aniversário. Os vidros, como determina a lei do crime no bairro, estavam abaixados, no entanto, as luzes internas do veículo estavam apagadas, por isso, os bandidos atiraram contra o carro e atingiram a jovem nas costas. Thais não resistiu e faleceu no hospital.

A situação da segurança pública no Espírito Santo está caótica, na visão do sindicato, resultado da omissão do poder público e da falta de políticas efetivas, o que acaba banalizando a violência. Somente na última semana foram seis homicídios que chocaram todo o Estado. Veja a matéria.

Hoje, infelizmente, tem se tornado cada vez mais comum o relato de moradores que vivenciam as ordens impostas por traficantes na Grande Vitória. E quem não segue essas regras, chega a ser expulso do bairro ou até mesmo morto.

Apesar dessa realidade lamentável, na última terça-feira (21), o secretário de segurança do Estado, Nylton Rodrigues, anunciou que não existem locais em terras capixabas onde impera a lei e ordem do tráfico de drogas. No entanto, o assassinato da jovem na região cinco de Vila Velha mostrou mais uma vez o contrário.

O presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal, que também é especialista em inteligência em segurança pública, destacou a ausência de investimentos como resultado do crescimento da insegurança no Estado.

“O aumento dos homicídios, roubos e furtos, e toda criminalidade é resultado das políticas públicas paliativas e da ausência das políticas realmente estruturantes. O Governo precisa investir na segurança pública. Precisamos de concursos públicos, delegacias com estrutura, armas, cursos de capacitação. Hoje os profissionais da segurança pública capixaba, em especial os da Polícia Civil não são minimamente valorizados pelo Estado. Com isso, quem paga é sociedade que é vítima da ação dos criminosos”, disse.

Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES
Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES

O presidente do Sindipol/ES lembrou que, por exemplo, na Região Cinco de Vila Velha, a mais populosa da cidade, local onde Thaís foi assassinada, não existe Delegacia de Polícia.

O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) fez reuniões com os moradores da Região Cinco e apresentou o projeto “ESTADO AUSENTE – NÃO DEFENDE A VIDA”. O projeto destaca a importância da polícia judiciária como um dos pilares no sistema de segurança pública estadual e consequentemente na defesa da sociedade.

SAIBA MAIS SOBRE O PROJETO

O projeto criado pelo sindicato visa buscar apoio junto às lideranças comunitárias das regiões do Estado que carecem de segurança pública no âmbito da atuação da Polícia Judiciária. O objetivo é que sejam implementadas unidades policiais estruturadas em seus recursos humanos e materiais, necessários ao atendimento da sociedade.

Como percurssora do projeto, a diretoria do Sindipol/ES escolheu a Região Cinco que tem previsto desde 2001, segundo o Decreto nº 691-R de 17 de maio de 2001, a implantação de uma delegacia.

Para a execução, a diretoria do Sindipol/ES se reuniu com as principais lideranças da região, coletando dados e informações junto às comunidades afetadas a respeito da ausência da Polícia Judiciária, que complementará as exigências estipuladas na legislação citada, para nortear ações políticas, judiciais e administrativas.

*CAPA: reprodução/TV Gazeta

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