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O Estado do Espírito Santo possui 135 delegacias, mas apenas sete contam com o número suficiente de policiais civis. Sindipol/ES já denunciou defasagem e segue cobrando concurso público.

Um único policial civil vigiando seis presos. O resultado não poderia ser outro. Após pedir por diversas vezes para ir ao banheiro, homem preso por furto conseguiu fugir da delegacia e não foi encontrado, continua foragido. O caso aconteceu no último sábado (15/09) na única delegacia que funciona em regime de plantão na  cidade de Serra, a mais violenta do Espírito Santo, a 3º Delegacia Regional que funciona  em Laranjeiras. Até agora os policiais não sabem por onde o preso fugiu.

“É realmente uma vergonha e não podemos culpar os policiais. Na verdade, os policiais civis são vítimas em potencial da ingerência governamental que desidratou a Polícia Civil capixaba”, pontuou Jorge Emilio Leal, presidente do Sindipol/ES.

Na hora da fuga, por volta das 15h, apenas dois policiais estavam trabalhando: um vigiando presos e outro atendendo o público e registrando ocorrências no cartório da delegacia.

Para a imprensa, a Polícia Civil disse por nota que vai instaurar um processo administrativo e apurar o que aconteceu. Para o Sindicato dos Policiais Civis a explicação é simples.

“Faltam policiais civis para trabalhar nas delegacias. Isso é um fato. O caso da Serra mostra o perigo que esses profissionais estão correndo. Com apenas um policial tomando conta de seis presos fuga é o mínimo. Os policiais podem sem rendidos ou até assassinados dentro das delegacias”, complementou o presidente do Sindipol/ES.

O Sindipol/ES reforça que o número de policiais civis não acompanhou o crescimento da população. Atualmente, a defasagem supera 60% e o recente concurso público anunciado pelo Governo não irá suprir essa carência. O Conselho Nacional do Ministério Público acompanhou a situação do estado e fez um levantamento;   o Espírito Santo possui 135 delegacias, mas apenas sete possuem o número suficiente de policiais civis.

Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.
Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

“É uma vergonha. Sem uma Polícia Civil estruturada não existe investigação,  e sem investigação os criminosos ficam impune. É lamentável ver que a Polícia Civil do nosso estado está definhando por ingerência e pela falta de políticas públicas estruturantes de segurança pública”, finalizou Jorge Emilio Leal.

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!