inspecao-sindical-revela-precariedade-no-departamento-medico-legal-de-vitoria

O Sindipol/ES fez uma fiscalização surpresa no DML da capital e encontrou uma unidade policial precária, sem espaço para receber corpos de vítimas e condições dignas de trabalho para os policiais civis.

De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis, o Departamento Médico Legal de Vitória não possui um sistema de climatização, o que acelera o processo de decomposição dos corpos. Os policiais tiveram que fazer uma “vaquinha” para consertar o ventilador da sala de necropsia e, segundo o Sindipol/ES, a temperatura no ambiente chega a 40 grau.

A geladeira usada para guardar corpos apresenta pane e funciona com “gambiarras”. Além disso, a geladeira está lotada. Ela tem capacidade para 48 vagas, mas 40 estão ocupadas permanentemente com corpos sem identificação. Situação que se agravou nesta sexta-feira (01), com o fechamento do Serviço Médico Legal de Cachoeiro (SML), no Sul do estado. O Sindicato encontrou corpos em sacolas no corredor do DML.

“Pela manhã tinham 12 corpos no DML e não cabiam todos na geladeira. São corpos de pessoas da Grande Vitória e do Sul do estado. Como a geladeira está lotada, alguns corpos foram deixados na sacola no corredor. Isso é uma total falta de respeito com os profissionais e com os familiares dos mortos”, disse Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

DEFASAGEM E AMBIENTE INSALUBRE

Para o Sindicato dos Policiais Civis, as condições de trabalho no DML da capital são insalubres. A rede elétrica está comprometida, com fios expostos, o que, na visão do sindicato, pode causar um incêndio ou até um acidente fatal.

“Tem água e sangue pelo chão. Um policial com a luva molhada pode ser eletrocutado. O risco de um acidente ou incêndio é real. Os policiais estão correndo risco lá dentro”, explicou Humberto Mileip, vice-presidente do Sindipol/ES.

Mileip explicou ainda que a água de levar corpos, sangue de vítimas e produtos químicos usados pelos profissionais do DML de Vitória vão direto para a rede de esgoto comum, sem nenhum tratamento. 

WhatsApp Image 2019-03-01 at 10.49.29 (1)

“Faz tempo que o Sindipol/ES alerta sobre isso e a situação se agravou no governo Paulo Hartung, que não investiu em segurança e na qualidade do serviço oferecido à população.  Ninguém está preocupado com o impacto que isso pode gerar para o meio ambiente”, disse.

De acordo com o Sindipol/ES, o número de policiais civis que trabalham no DML é baixo. Ao todo, são de 45 profissionais divididos em quatro plantões: 16 médicos legistas, 16 auxiliares de perícia e 13 agentes e investigadores. O DML funciona 24 horas.

“A situação é caótica e insalubre. Esses profissionais estão correndo sério risco, até mesmo de contaminação. O governo não pode negar que avisamos. Como nada foi feito, as condições de trabalho no DML de Vitória só pioraram”, finalizou o presidente do Sindipol/ES.

A diretoria do Sindicato dos Policiais Civis vai oficiar o IEMA, Ibama, a Cesan, Vigilância Sanitária, a Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, os Bombeiros, a Secretaria de Segurança, o Ministério Público do Trabalho, a Procuradoria Geral de Justiça e a própria Policia Civil, para que providências sejam logo tomadas urgentemente. Para o Sindipol/ES, o DML de Vitória não oferece condições mínimas de trabalho para os policiais e quem paga o preço por isso é a sociedade.

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!