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Na interpretação dos desembargadores, durante uma perseguição, suspeitos que atiram contra policiais não necessariamente desejam matá-los ou assumem esse risco. O Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Espírito Santo não concorda e repudia a decisão.

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) confirmou uma decisão de primeira instância excluindo dois acusados de tentativa de homicídio de julgamento pelo tribunal do júri. Seguindo a jurisprudência da Câmara, os desembargadores entenderam que os suspeitos que atiraram contra policiais durante uma perseguição não queriam matar os profissionais. De acordo com a justiça, os suspeitos atiraram apenas para “dificultar a aproximação dos policiais”.

“Não se pode presumir que quando alguém efetua um disparo de arma de fogo em fuga de policiais está atirando para matar os agentes”, escreveu o juiz de primeira instância. Pela decisão, os suspeitos podem ser acusados apenas de crime de resistência ou de disparo de arma de fogo.

POLICIAIS DE TODO O BRASIL REPUDIAM DECISÃO

O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo repudiou a decisão do TJ-RS, por entender que o posicionamento da justiça enfraquece o trabalho das forças policiais em defesa da população, no combate às organizações criminosas e à corrupção.

Para o Sindipol/ES, a decisão coloca ainda mais em risco a vida dos policiais que trabalham para defender a sociedade. O Sindicato que representa os policiais civis do Espírito Santo entende que é necessário pensar políticas e modelos de segurança que defendam o policial e  sua família, e a decisão da justiça do Rio Grande do Sul segue na contramão dessa realidade.

Assim como o Sindipol/ES, sindicatos de todo o país e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores Policiais Civis também repudiam a decisão da justiça. Todos reconhecem que o Brasil passa por uma grave crise na segurança pública e os policiais sofrem diariamente com a falta de estrutura de trabalho e a desvalorização por parte dos governos estaduais.

No Espírito Santo, por exemplo, a defasagem no quadro operacional da Polícia Civil supera 60%, os policiais civis atuam em delegacias em situações precárias, sobrecarregados e em desvio de função, e estão há anos sem o reajuste anual de salário.

Para finalizar, o Sindipol/ES faz ainda o seguinte questionamento:

Se o fato em questão fosse inverso, policiais seriam absolvidos por atirar em um criminoso?

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS!!!