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“Enquanto o Estado se torna incompetente em fazer sua obrigação, os traficantes fazem a obrigação do Estado”. O desabafo foi feito por um policial militar após ser questionado sobre a situação encontrada na Grande Porto Santana, em Cariacica.

Na ocasião, um morador mostrou ao PM uma bucha de maconha que estava sendo comercializada na região com os dizeres: “Proibido roubar. Se for roubado, reclama na boca”.

Ainda de acordo com o policial, que durante reportagem concedida ao portal Gazeta Online preferiu não ser identificado, a culpa é da crise na segurança pública capixaba. “É um absurdo o que está acontecendo na segurança pública. Os índices dos crimes estão descontrolados e há temor da população que no momento não pode contar com a segurança do Estado”, disse.

O relato vai totalmente ao encontro das constantes denúncias realizadas pelo Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) contra a política de governo de massacre a segurança pública estadual. Hoje, sem a devida valorização e os investimentos necessários em recursos materiais e humanos, os policiais pouco tem o que fazer para combater a ação dos criminosos.  Os policiais civis, por exemplo, já estão há mais de três anos sem reajuste salarial.

O efetivo da PC capixaba conta com uma defasagem de mais de 59%.  Para se ter uma ideia, o último concurso realizado para o cargo de investigador de polícia foi há 24 anos. O Espírito Santo conta com apenas um policial civil para cada 1.792 habitantes.

Com o baixo número de policiais, os criminosos fazem a festa nas ruas. Os profissionais da polícia judiciária se desdobram no combate ao crime, se doam ao máximo, mas sem investimentos, sem valorização, é quase impossível impedir a explosão de crimes no estado.

Em 2016, o ES terminou o ano dentro de um vergonhoso grupo composto por Alagoas, Amazonas, Piauí e Rio Grande do Norte, sendo os estados brasileiros com o pior índice de policiais civis por habitantes.

O presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal, criticou a atual situação da segurança pública capixaba, principalmente no que tange à polícia judiciária estadual, instituição responsável por operacionalizar e efetivar as demandas oriundas das demais instituições de segurança pública, seja em âmbito municipal, estadual e federal, do poder judiciário, do ministério público e da própria sociedade. A polícia civil pede socorro!!!

“Os policiais e a instituição vêm trabalhando há décadas, sem qualquer tipo de apoio, valorização ou investimentos, numa total falta de recursos materiais ou humanos. Quadro esse, de adversidades, que se agrava e acarreta sobrecarga de trabalho, desvios e usurpação de função, doenças funcionais e a consequente precarização do serviço de polícia judiciária prestado à sociedade”, afirmou.

 

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS