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Em 2016, o número de homicídios no país superou as mortes causadas pela bomba nuclear no Japão. Em contrapartida, investimentos na segurança só diminuíram.

Os dados foram divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no último dia 30. De acordo com a pesquisa, o número de policiais civis e militares vítimas de homicídios em 2016 cresceu 17,5% em relação ao ano de 2015. O índice geral de mortes violentas no Brasil também aumentou.

UMA BOMBA ATÔMICA POR ANO NO BRASIL

Em dados gerais, o Fórum aponta que foram registrados mais de 61,5 mil assassinatos em 2016, o que equivale, em números, às mortes provocadas pela explosão da bomba nuclear que dizimou a cidade de Nagasaki, em 1945, no Japão. Este é o maior número de homicídios da história do Brasil.

FEMINICÍDIO

Os crimes contra as mulheres também chamaram atenção em 2016. Ao todo, 4.657 mulheres foram vítimas de morte violenta no ano passado. Significa que a cada duas horas uma mulher é assassinada no país.

OUTROS CRIMES

Entre 2015 e 2016 mais de um milhão de carros foram furtados ou roubados nas cidades brasileiras. Cresceu também o número de casos de estupros. Foram registradas 49.497 ocorrências, um aumento de 3,5%.

Entre 2010 e 2016 os crimes de roubo seguido de morte aumentaram 50%. Somente no ano passado, 2.703 pessoas morrerem vítimas do latrocínio.

POUCO INVESTIMENTO

Se por um lado os crimes aumentam de forma significante, por outro, os valores investidos na segurança pública só tem diminuído. Em 2016, os governos reduziram em 2,6% os investimentos.  

Quando analisado de modo separado, o dado indica que o governo federal, sob a presidência de Michel Temer (PMDB), foi quem menos investiu, uma redução de 10,3% , a maior verificada desde que o Anuário começou a ser elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Para Arthur Trindade, integrante do Fórum, a queda de gastos chama a atenção.

“Passa a impressão de que o emprego da Força Nacional é hoje a única estratégia do governo federal na área da segurança. Tem mais efeito midiático do que prático”, disse.

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Colapso na segurança pública é marca presente no ES

No Espírito Santo, a situação das forças de segurança é cada vez pior. Na Polícia Civil, por exemplo, o efetivo tem defasagem de quase 60%. Na Superintendência de Polícia Técnico-Científica da PC/ES, a defasagem chega a 80%.

O fato só comprova a tese do diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), professor Renato Sérgio de Lima. Ele disse que “muito em breve” as Polícias Civis entrarão em colapso.

“Em meio a esse processo, que junta crise da sua missão fim (investigação), falta de recursos e baixa prioridade política de governantes, temo que as Polícias Civis entrarão em colapso muito em breve”, afirmou o professor.

Para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES), Jorge Emílio Leal, o aumento considerável da violência é resultado da falta de política de estado estruturante para a segurança pública.

“É complicado. Hoje o policial não tem condições de impedir que os crimes aumentem. Baixo efetivo, falta de recursos materiais e humanos são fatores que prejudicam o trabalho. O profissional da segurança pública é cada vez mais desvalorizado e sofre com essa política de governo que massacra a segurança pública”, disse.

JUNTOS SOMOS FORTES, UNIDOS SOMOS IMBATÍVEIS