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“A segurança precisa ter uma política de Estado, e não programas de governo”. A afirmação feita pelo especialista em segurança pública Pablo Lira é algo denunciado pelo Sindicato dos Policiais Civis há vários anos e fortemente presente nas falas do presidente Jorge Emílio Leal. Em 2016, foram registrados 61.619 homicídios no país, a maior taxa em toda história.

Uma matéria veiculada no Jornal A Gazeta do último domingo (18) trouxe a tona um tema bastante discutido pelo Sindipol/ES que é a falta de uma política de estado realmente estruturante. Para vários especialistas, as medidas de segurança adotadas até hoje não deram certo, pois sempre ocorrem em resposta a crise.

“A maioria deles foi reativa. No governo Fernando Henrique, a política lançada foi pouco tempo após ocaso do ônibus 174, também no Rio, e que chocou o mundo. A segurança precisa ter uma política de Estado, e não programas de governo, com princípios e linhas de atuação bem definidos, principalmente pelo fato de que as soluções são a longo prazo, têm que ser planejadas para 15, 20 anos”, analisa o professor do mestrado de Segurança Pública da UVV, Pablo Lira.

Outro ponto citado na notícia é o de que o Fundo de Segurança Nacional é alvo de duros cortes orçamentários. De 2015 para 2016, por exemplo, houve uma queda de 30,8% nos recursos.

“Em muitos casos a participação do governo federal se resume a comprar viaturas e oferecer treinamento para os policiais. Isso não é uma política de segurança. Passa a impressão de que o emprego da Força Nacional é hoje a única estratégia do governo federal na área da segurança, pois é a única frente que tem recebido uma injeção de recursos. Tem mais efeito midiático do que prático”, ressaltou o doutor em Sociologia da UNB, Antônio Flávio Testa.

Outro dado preocupante e que chama atenção é a diminuição nos gastos com segurança pública pela união, estados e municípios. Entre os anos de 2016 e 2017, o valor total investido de R$ 83.405.835.299,80 caiu para R$ 81.238.345.301,14.

“O aumento nos crimes, criminosos e criminalidade é justamente um reflexo dessa falta de uma política estruturante na área de segurança pública. O Governo tem adotado essas medidas paliativas que em nada resolvem a situação tanto do operador de segurança pública como da sociedade. Inúmeros casos tem provado isso. O Brasil está violento, precisamos de investimentos na segurança”, disse, Jorge Emílio Leal, presidente do Sindipol/ES.

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